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Conheça o carro “alado” da Plymouth, construído para as pistas cujo objetivo era ganhar publicidade e a “corrida” das vendas com Ford e Chevrolet

Texto: Aurélio Backo Fotos: Divulgação

No ano de 1969, a Plymouth, outra divisão da Chrysler, produziu um carro para as pistas. O objetivo da Plymouth ao investir nas pistas era ganhar publicidade e a “corrida” das vendas contra a Ford e a Chevrolet.

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Plymouth Road Runner Superbird 1970, que venceu várias provas com o piloto Richard Petty

O Plymouth era a “porta de entrada” da Chrysler Corporation e o modelo escolhido entre todos os modelos da Plymouth para ser transformado em um “foguete” foi o Road Runner, que seria batizado Plymouth Road Runner Superbird!

Road Runner

O Plymouth Road Runner já era produzido desde 1968 e a sua receita era a mesma usada havia décadas pelos rodders: um motor V8 enorme num carro leve (a General Motors iniciou a era desses carros musculosos – muscle cars – com o Pontiac GTO 1964). A Plymouth ainda usou mais dois ingredientes da receita original: preço acessível e “irreverência”.

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Plymouth Road Runner 1969: base para o Road Runner Superbird!

Seu preço inicial, quando novo, era de apenas 2.896 dólares e com esse valor o modelo vinha equipado com um potente motor V8 de 383 polegadas cúbicas (6,3 litros) de 335 HP. O carro ainda tinha itens reforçados, como caixa de quatro marchas, suspensão mais firme, freios maiores e pneus mais largos. Esse conjunto fazia o modelo chegar aos 156 km/h no final do quarto de milha!

Um hot rod sempre tem algum detalhe “irreverente”, como rodas vermelhas, pinstriping ou chamas (flames). A Plymouth teve uma ideia genial e comprou da Warner Brothers o direito de uso da imagem do desenho animado do Papa Léguas! Para quem não se lembra ou sabe, o Papa Léguas era uma ave que vivia correndo em alta velocidade pelo deserto sempre com o Coiote ao seu encalço! O nome em inglês do Papa Léguas é “Road Runner”, que significa “corredor da estrada” – bem apropriado para batizar um carro! No carro, o desenho do personagem aparecia em adesivos aplicados nas portas, no porta-malas, no painel, e na tampa do filtro de ar sobre o carburador. Mas o item mais festejado era a buzina, que fazia o “beep beep” semelhante ao ruído emitido pelo personagem no desenho animado!

Road Runner Superbird 1970

Para transformar o Road Runner no Road Runner Superbird, a Plymouth escolheu a mesma receita que a Dodge usou para criar o Dodge Charger Daytona 1969: melhorou o desempenho aerodinâmico do carro. Assim o modelo precisava de menos potência para vencer a resistência do ar e essa sobra de potência era usada para atingir velocidades mais altas. Na prática, foi aplicado um “bico” aerodinâmico na frente do carro, alterado o ângulo do vidro traseiro e instalado um spoiler altíssimo na traseira do veículo.

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Plymouth Road Runner Superbird 1970: bonito não era, mas veloz era!

Os engenheiros da Plymouth imaginaram que poderiam usar o “bico” dianteiro do Dodge, mas foi necessário desenvolver uma peça nova, pois os para-lamas e capô dos dois carros eram diferentes. Na nova frente um friso central foi incorporado, deixando esta extensão dianteira um pouco mais agradável que a do Dodge…

A asa traseira, com seus 61 centímetros de altura e feita de alumínio, tinha a função de manter sob controle do piloto a traseira do carro nas altas velocidades. A sua altura não era importante aerodinamicamente – era tão alta apenas para permitir a abertura da tampa traseira.

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Road Runner Superbird 1970: o “spolier” melhorava a dirigibilidade do carro em altas velocidades e era alto apenas para permitir a abertura do porta-malas

O vidro traseiro original deu lugar a um modelo mais curvo e menor. No local do vidro traseiro era soldada uma moldura metálica que permitia a instalação do novo vidro. Para evitar um trabalho de acabamento esmerado nesse inserto, todo o teto do carro era revestido de vinil…

E o Papa Léguas? Sim, ele estava lá. Enormes adesivos com o “Beep Beep” segurando um capacete eram aplicados nas laterais da asa traseira e um menor era colado no bico do carro, no lado do motorista.

Três motores de oito cilindros em V podiam equipar o carro. Dois com 7,2 e outro com 7,0 litros, que forneciam 375, 390 e 425 HP. O primeiro motor era equipado com um carburador de corpo quádruplo, o segundo com um trio de carburadores de corpo duplo e o mais potente (um legítimo Hemi) por um par de corpos quádruplos!

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Na asa traseira era fixado nas laterais um adesivo do Papa Léguas segurando um capacete

Produção de 1.920 unidades

Para que o modelo fosse homologado para as competições da Nascar (ver edição anterior), seria necessária a produção de 1.000 unidades, ou uma quantidade igual à metade do número de concessionárias da marca. O maior prevaleceria. Essas provas eram para carros “normais”, e o preço para a Plymouth participar desta “festa” era produzir pelo menos 1.900 carros!

Nas 48 provas da temporada da Nascar de 1970, a Plymouth venceu 21 provas, sendo oito com o Superbird.

Uma quantidade pequena dos Superbird foi parar nas pistas. Na época, as concessionárias tiveram dificuldade para vender tantos Superbird excedentes. E algumas até os transformaram em Road Runners, para facilitar a venda. Na época era difícil imaginar que, anos depois, esses modelos seriam tão valorizados. Mais difícil era acreditar que um carro que era adornado com adesivos de um personagem de desenho animado iria se transformar, ele próprio, num personagem. Esse personagem apareceu já nas cenas iniciais do desenho “Carros” de 2006. Pintado de azul claro com um “43” nas portas, ele foi baseado no Superbird de Richard Petty que ganhou cinco provas da Nascar em 1970. E o nome escolhido foi bem apropriado: “O Rei”!

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“O Rei”: personagem do desenho “Cars” que foi baseado no Plymouth Road Runner Superbird 1970
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